segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os resultados de seu ministério não dependem de você - John MacArthur


Paulo afirma: “Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.3-4). Paulo compreendia que, em última análise, não tinha controle dos resultados de seu ministério evangelístico.

Essa é a mesma verdade que Jesus deixou tão clara na Parábola do Semeador. Ele disse: “Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas?” (Mc 4.13). A semeadura revela que há quatro níveis de receptividade do solo, mas, se em nossos dias, alguém que representa o evangelicalismo norteado por técnicas reescreve essa parábola, ela ficaria assim:

“Havia um solo e quatro semeadores. Um semeador tinha uma técnica específica de evangelismo que não frutificava, de maneira alguma. O segundo semeador tinha outra técnica de evangelismo que produziu algum resultado, por um tempo. O semeador seguinte tinha outra técnica que produziu uma resposta superficial. Mas, finalmente, veio o quarto semeador, que tinha a técnica correta e obteve respostas a trinta, a sessenta e a em por um, porque, afinal de contas, a questão toda é a técnica.”

No entanto, essa não foi a maneira como Jesus contou a história: Ele se focalizou não no semeador, e sim na semente. Todos semeamos a mesma semente, mas somente Deus pode arar o solo.

Há erros graves na teologia norteada pelo mercado. Talvez o primordial seja a noção de que a principal tarefa do pregador é vencer a resistência do consumidor, a fim de persuadir as pessoas a comprarem o produto chamado Jesus. Nem pensem nisso! Essa idéia, além de blasfema, é completamente ineficaz, pois o motivo fundamental da resistência do “consumidor” para com o evangelho é um problema grande demais para você e eu vencermos. Expressarei isso em outras palavras: se eu tentasse vender determinado sabão a cadáveres em um necrotério, acho que não teria qualquer comprador! Não estou exagerando, porque é assim que as Escrituras descrevem o estado espiritual dos incrédulos: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2.1-2). Então, “se o nosso evangelho ainda está encoberto”, disse Paulo ele está encoberto para pessoas que se encontram em um estado de destruição, mesclado com o fato de que “o deus deste século” [Satanás] cega “o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).

Tente assimilar este pensamento: tudo que, como crentes, fazemos neste mundo, faremos melhor no céu, exceto uma coisa, a evangelização, porque não haverá no céu ninguém, que não tenha aceitado o evangelho. A evangelização é a grande comissão que o Senhor nos deu, Ele ordenou que fossemos ao mundo e pregássemos o evangelho; mas, em seguida, Paulo nos diz que nossa audiência é morta e cega! Recordo o que aconteceu com Isaías, que teve uma visão de Deus no céu. Deus lhe deu uma mensagem a proclamar, dizendo; “Vai e dize a este povo: ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo”. Naturalmente, Isaías perguntou: “Até quando, Senhor?” (Is 6.9-11). O Senhor respondeu que, em pouco tempo, as pessoas seriam destruídas, mas não todas, para que ele estabelecesse a “santa semente” (v.13). A salvação é uma obra de Deus. Jesus, em resposta à pergunta: “Quem pode ser salvo?”, disse: “Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lc 18.26-27).

Um repórter me perguntou alguns anos atrás: “Você tem um grande desejo de edificar a igreja?” Eu respondi: “Você está brincando? Jesus disse que Ele edificaria a igreja. Você acha que desejo competir com Ele?”

Você não quer gastar muito tempo pensando sobre a tarefa de evangelizar à luz da perspectiva humana, mas um pouco de reflexão pode nos ajudar a sermos gratos a Deus pela sua obra na salvação. Foi assim que Paulo explicou:

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedora, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.” (1Co 1.18-21, citando Is 29.14).

Paulo prossegue e diz por que, a princípio, o evangelho parece difícil de ser crido por aqueles que o ouvem: “Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios”. Contudo, aqueles que Deus chama descobrem que o evangelho é “poder de Deus e sabedoria de Deus”. Por quê? “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Co 1.22-25).

Perto do Circo Máximo, em Roma, há uma gravura que fica por trás de uma grade de metal, para que você não possa tocá-la. Eu já a vi diversas vezes. É uma figura de um homem crucificado com cabeça de burro. A tradução do que está escrito debaixo da gravura é Alexamenos adora seu deus. Isso representa o escárnio do mundo gentílico sobre qualquer pessoa que ousasse adorar um homem crucificado, porque, pelo que eles sabiam, somente pessoas desprezíveis iam para a cruz. O evangelho é, em um sentido, uma mensagem inacreditável que é contrária a todas as inclinações naturais; e estamos tentando apresentá-lo a pessoas que estão mortas e cegas. Se você não vê pessoas vindo a Cristo aos milhares, sabe o por quê.

Para vencer esse problema grave, temos de recrutar uma equipe especializada? Isso não é o que Deus ensina. “Irmãos, reparai... na vossa vocação”, escreveu Paulo, “visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são” - os ninguéns -, “para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus... como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Co 1.26-31, citando Jr 9.23). Essa foi a razão por que, depois, Paulo escreveu: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a casa um. Eu planei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que neo o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3.5-7).

Permita-me dizer-lhe algo importante a respeito da palavra servos: literalmente, ela se refere a escravos - pessoas que eram propriedade de outrem e não tinham direitos pessoais. Nos Estados Unidos, temos um desprezo natural por todas as formas de escravidão. É correto que o tenhamos, devido à insuportável agonia e inúmeros pecados produzidos por todo sistema de escravidão que já existiu. Contudo, se temos de entender como as Escrituras retratam o que significa ser um verdadeiro seguidor de Cristo, precisamos entender algo a respeito do que significava ser um escravo nos tempos romanos. Paulo deixou isso claro em 2 Coríntios 4.5, onde ele descreveu seu próprio ministério: “Não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus”. A palavra grega traduzida por servos se referia ao mais baixo nível de escravos na cadeia de escravos: por exemplo, os escravos que moviam os remos das galés. Embora seja verdade que Jesus é amigo de pecadores, ele é também Senhor e Mestre de todos, e diz aos seus discípulos:

Qual de vós, tendo um servo ocupado na lavoura ou em guardar o gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem já e põe-te à mesa? E que, antes, não lhe diga: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois, comerás tu e beberás? Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado? Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer (Lc 17.7-10).

A Bíblia não apóia a escravidão, mas também não a condena expressamente. O Novo Testamento emprega a figura de um escravo como uma metáfora apropriada do relacionamento do cristão para com o Senhor. Dependemos do Senhor para suprir todas as nossas necessidades, tanto físicas como espirituais. Até nossa capacidade de trabalhar vem do Senhor Jesus, pois a Palavra nos instrui: “Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, porque é ele o que te dá força para adquirires riquezas” (Dt 8.18). A disposição final de sua vida, no que diz respeito a julgamento e recompensa, está igualmente nas mãos do Senhor.

Se você ainda luta com a noção bíblica de escravidão, especialmente porque isso fazia parte do passado de seus progenitores, entenda que para você e para mim a escravidão é apenas uma memória; todavia, para as gerações anteriores e para as pessoas dos tempos bíblicos, era uma realidade. Veja com novos olhos essas palavras de Filipenses 2: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (vv. 5-8). Se você é tentado a pensar que lhe é indigno ser um servo, lembre-se de que seu Senhor não o considerou assim. O que aconteceu como resultado Deus, o Pai, “o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11, citando Is 45.23)

Eis outra conclusão triunfante de Paulo: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2 Co 4.6). É claro que Paulo pensava em Gênesis 1.3: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”. Aquele que acendeu as luzes do universo pode fazer o mesmo em um coração entenebrecido, convertendo-o a Cristo, em quem “habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9).

Não precisamos nos preocupar com questões de estilo. Isso é muito enfatizado no cristianismo hoje, e os líderes das igrejas desperdiçam energias se inquietando a respeito de que estilo adotar em sua adoração: contemporâneo, pós-moderno, tradicional, formal, informal, emergente ou country. Tenho viajado pelo mundo todo e visto quase todas as maneiras possíveis de como você pode conduzir um culto na igreja, mas somente o estilo não significa muita coisa. De fato, com muita frequência a ênfase excessiva sobre o estilo obscurece o significado da própria mensagem. A única maneira pela qual a luz penetra a vida de uma pessoa é pregarmos o evangelho para ela. Tentar descobrir que estilo de culto é adequado à maioria das pessoas é tolice, se, de fato, é verdade que “não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4.5).

Firmes: um chamado à perseverança dos santos

Editora Fiel

Capítulo 3, pg. 73-79

John MacArthur


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