domingo, 24 de abril de 2011

A mensagem do Evangelho - J. I. Packer (4/4)


4. O evangelho é uma chamada à fé e ao arrependimento. Todos os que ouvem o evangelho são notificados por Deus a se arrependerem e crerem. “Deus... notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30), disse Paulo aos atenienses. Quando perguntado por seus ouvintes a respeito do que deveria fazer para realizar as obras de Deus, nosso Senhor respondeu: “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado” (Jo 6.29). E, em 1 João 3.23, lemos: “O seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo”.

O mandamento específico de Deus torna o arrependimento e a fé questões de dever; logo, a falta de arrependimento e a incredulidade são retratados no Novo Testamento como pecados muito graves. Esse mandamento universal, como já indicamos, é acompanhado da promessa de salvação para todos os que lhe obedecem. “Por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43). “Quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22.17). “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Essas palavras são promessas que Deus honrará enquanto o tempo existir.

Precisamos dizer que a fé não é um sentimento de otimismo e que o arrependimento não é um sentimento de remorso ou pesar. A fé e o arrependimento são atos, atos que envolvem toda a pessoa... a fé é essencialmente lançar a si mesmo e repousar a sua confiança nas promessas de misericórdia que Cristo fez aos pecadores e no próprio Cristo, que fez tais promessas. De modo semelhante, o arrependimento é mais do que tristeza por causa do passado; o arrependimento é mudança de mente e coração, um nova vida de negar-se a si mesmo e servir ao Rei dos reis, em vez de servir ao ego. Dois fato adicionais precisam ser apresentados:

1) Deus exige a fé, bem como o arrependimento. Não basta resolver abandonar o pecado, renunciar hábitos maus e tentar por em prática os ensinos de Cristo, por meio de ser religioso e de fazer todo bem possível aos outros. Anelo, resolução, moralidade e religiosidade não são substitutos para a fé. Se tem de haver fé verdadeira, tem de haver um alicerce de conhecimento: a pessoa tem de saber a respeito de Cristo, de sua cruz, de suas promessas, antes que a fé salvífica se torne uma possibilidade para tal pessoa. Em nossa apresentação do evangelho, precisamos enfatizar essas coisas, a fim de levar os pecadores a abandonarem toda a confiança em si mesmos e a confiarem totalmente em Cristo e no poder de seu sangue redentor, para lhes dar aceitação diante de Deus. Nada menos do que isso é fé verdadeira.

2) Deus exige o arrependimento, bem como a fé. Se tem de haver arrependimento, tem de haver, igualmente, um alicerce de conhecimento... Mais do que um vez, Cristo nos chamou, deliberadamente, a atenção ao rompimento radical com o passado, o rompimento envolvido no arrependimento. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me... e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 16.24-25). “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida [ou seja, em sua estima não os coloca decisivamente em segundo plano], não pode ser meu discípulo... todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26, 33). O arrependimento que Cristo exige de seu povo consiste em uma recusa determinada de estabelecer qualquer limite às reivindicações que Ele faz a respeito de sua vida... Ele não tinha qualquer interesse em reunir multidões de adeptos professos que desistiriam logo que descobrissem o que o seguir a Cristo exigia deles. Portanto, em nossa apresentação do evangelho de Cristo, precisamos mostrar a mesma ênfase a respeito do preço de seguir a Cristo e fazer os pecadores encararem esse preço com sobriedade, antes de instarmos que respondam à mensagem do perdão gratuito. Com honestidade, não devemos ocultar o fato de que, em determinado sentido, o perdão gratuito custará tudo, pois, doutro modo, nosso evangelismo se tornará um tipo de embuste de confiança. E, onde não há um conhecimento nítido e, conseqüentemente, um reconhecimento realista das reivindicações de Cristo, não pode haver arrependimento e, portanto, salvação.

Essa é a mensagem evangelística que somos enviados a pregar.

Extraído do livro Evangelism & Sovereignt of God. Copyright © 1961. Inter-Varsity Fellowship, England.

Extraído de: Editora Fiel



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