segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Mensagem do Evangelho - J. I. Packer (2/4)


2. O evangelho é uma mensagem a respeito do pecado. Ele nos diz como estamos aquém dos padrão de Deus, como nos tornamos culpados, impuros e desamparados no pecado e que, agora, estamos sob a ira de Deus. O evangelho nos diz que a razão por que pecamos continuamente é que somos pecadores por natureza, e nada que fazemos pode nos tornar puros e nos trazer de volta ao favor de Deus. O evangelho nos mostra a nós mesmos como Deus nos vê, ensinando-nos a pensar sobre nós mesmos do modo como Deus pensa. Portanto, o evangelho nos leva ao autodesespero. Esse é um passo necessário. Enquanto não aprendermos a necessidade de acertarmos nosso relacionamento com Deus e nossa incapacidade de fazer isso, por meio de qualquer esforço pessoal, não poderemos conhecer a Cristo, que nos salva do pecado.

Existe um perigo aqui. A vida de qualquer pessoa inclui coisas que causam insatisfação e vergonha. Toda pessoa tem uma má consciência a respeito de coisas em seu passado, assuntos nos quais ela ficou aquém do padrão que estabeleceu para si mesma ou que outros esperavam dela. O perigo é que, em nosso evangelismo, podemos reportar-nos a essas coisas, deixar os ouvintes bastante desconfortáveis a respeito delas, e retratar a Cristo como Aquele que nos livra desses elementos pessoais, sem ao menos abordarmos a questão de nosso relacionamento com Deus. Mas essa é a questão que tem de ser levada em conta quando falamos sobre o pecado. Na Bíblia, a própria idéia de pecado é uma ofensa contra Deus, um ofensa que destrói o relacionamento do homem com Deus. A menos que vejamos nossos erros à luz da lei e da santidade de Deus, não os veremos realmente como pecado. O pecado não é um conceito social; é um conceito teológico. Embora o pecado seja cometido pelo homem, e muitos pecados sejam praticados contra a sociedade, o pecado não pode ser definido nos termos do homem ou da sociedade. Nunca sabemos o que é realmente o pecado, se não aprendemos a pensar no pecado nos termos de Deus e a avaliá-lo como Deus o avalia, não pelos padrões humanos, e sim pelo padrão do absoluto direito de Deus sobre a nossa vida.

Temos de compreender que a má consciência do homem natural não é, de maneira alguma, o mesmo que convicção. Por isso, não concluímos que um homem é convencido do pecado, quando se perturba por causa de sua fraqueza e das coisas erradas que fez. Convicção de pecado não significa apenas sentir-se infeliz por causa de si mesmo, de suas falhas e de sua incapacidade de satisfazer às exigências da vida. Tampouco significa que a fé salvadora existe em um homem que está nessa condição e invoca o Senhor Jesus Cristo apenas para lhe trazer alívio, animá-lo e fazê-lo sentir-se novamente confiante. Não estaríamos pregando o evangelho (embora imaginássemos isso), se tudo que fizéssemos fosse apresentar a Cristo em termos das necessidades sentidas do homem: “Você está feliz? Está satisfeito? Quer ter paz de espírito? Acha que falhou? Está cheio de si mesmo? Quer um amigo? Então, venha a Cristo. Ele satisfará as suas necessidades diárias” — como se o Senhor Jesus Cristo devesse ser considerado uma fada madrinha ou um superpsiquiatra. Ser convencido do pecado significa não somente sentir que você é um fracasso total, mas também compreender que você tem ofendido a Deus, zombado de sua autoridade, desafiado-O, agido contra Ele e vivido no erro. Pregar a Cristo significa apresentá-Lo como Aquele que, por meio de sua cruz, coloca o homem no relacionamento correto com Deus.

É verdade que o Cristo verdadeiro, o Cristo da Bíblia, que se revela a nós como Salvador do pecado e Advogado diante de Deus nos dá realmente paz, alegria, vigor moral e o privilégio de sua amizade com aqueles que crêem nEle. Mas o Cristo que é retratado e desejado apenas para tornar mais fácil o quinhão de casualidades da vida, suprindo às pessoas ajuda e conforto, não é o verdadeiro Cristo, e sim um Cristo deturpado e mal compreendido — de fato, é um Cristo imaginário. E, se ensinamos as pessoas a buscarem um Cristo imaginário, não temos qualquer base para esperarmos que elas achem salvação. Temos de acautelar-nos contra o igualarmos a má consciência natural e o senso de infelicidade com a convicção espiritual de pecado, deixando assim, em nosso evangelismo, de incutir nos pecadores a verdade básica sobre a condição deles — ou seja, o pecado deles os tem afastado de Deus, expondo-os à sua condenação, hostilidade e ira, de modo que a primeira necessidade deles é um relacionamento restaurado com Deus.

Extraído do livro Evangelização e a Soberaria de Deus. Copyright © 1961. Inter-Varsity Fellowship, England.
Fonte: Editora Fiel


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