segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um entendimento bíblico do evangelismo - Mark Dever (1)

Parte (2), (3)

O que existe no evangelismo que nos assusta? Talvez seja o fato que não sentimos que sabemos as respostas a todas as perguntas que podem ser feitas. Talvez tenhamos o medo de ser rejeitados. Seja qual for a origem do nosso temor, Deus deu à igreja local a tarefa de proclamar o evangelho à comunidade ao seu redor. Estamos fazendo isso da Sua maneira, ou estamos inconscientemente encorajamento falsas conversões?


Introdução

Desde o início das cruzadas Billy Graham na década de 1950, o surgimento do movimento ecumênico e a proliferação de grupos ligados à igreja, o evangelismo tem significado diferentes coisas para diferentes pessoas. Para alguns, fazer evangelismo significa convidar as pessoas ao culto na igreja ou a uma Cruzada, onde elas são urgidas a andar por um corredor e fazer uma oração. De fato, muitos podem dificilmente imaginar conversões genuínas acontecendo de outra forma. Para outros, evangelismo é muito menos um monólogo e convite do que um diálogo e conversação. O pensamento de um orador impondo suas próprias visões aparentemente especulativas sobre uma audiência desamparadamente cativa é demais para alguns de espíritos grandes suportar. Para outros, evangelismo se tornou o mesmo que iniciar conversações com estranhos, compartilhar tratados evangélicos, fazer uma oração e algumas vezes até mesmo subestimar a importância do desenvolvimento teológico. Esperar que os incrédulos observem algo diferente nos cristãos é percebido em alguns quarteirões como ingênuo e até mesmo indolente. Ainda outros deixam o evangelismo aos profissionais – pastores, professores de seminário, líderes jovens e semelhantes. Afinal de contas, se o evangelismo é tão importante, quem sou eu para me arriscar?
O que você pensa? Cada um desses métodos é tão bom quanto os outros? Eles são igualmente inócuos, ou poderiam existir perigos por detrás de algum ou todos? E o que estamos fazendo exatamente quando evangelizamos, de qualquer forma? Em outras palavras, quais são os componentes essenciais sem os quais não fazemos evangelismo? Como definimos o sucesso evangelístico: Orações pronunciadas? Compromissos feitos? Corredores percorridos? Esmolas distribuídas, talvez? E uma vez que temos respostas para essas perguntas, como atualmente cuidamos do fazer evangelismo, e quais deveriam ser nossos motivos? Adicionemos algum conhecimento ao nosso zelo.
O que não é Evangelismo?
A Impossibilidade de Imposição. Muitas pessoas igualam evangelismo com imposição – alguém impondo suas visões religiosas sobre outra pessoa como uma tática para poder ou controle. Mas essa idéia é um engano.
  • Igualar evangelismo com imposição implica que o Cristianismo é apenas subjetivamente verdadeiro – verdadeiro e obrigatório para mim, mas não para os outros. O Cristianismo não é a opinião subjetiva do homem. É a verdade de Deus, a despeito das nossas opiniões subjetivas.
  • Igualar evangelismo com imposição implica que os cristãos são capazes de converter eles mesmos as pessoas, o que é inteiramente falso. De fato, de todas as religiões no mundo, o Cristianismo é a menos receptiva a tal imposição, por causa da sua teologia da conversão.
  • A humanidade está tão arraigada no pecado que, a menos que o Espírito de Deus faça a obra da conversão, nenhum de nós jamais se arrependerá e crerá.
  • Portanto, o Cristianismo é realmente único entre as religiões do mundo pela impossibilidade de impor sua estrutura de crenças sobre outros. Somente Deus convence as pessoas a se arrepender e crer.
A Subjetividade do Testemunho Pessoal
  • Muitos compartilham seu testemunho de uma forma que meramente diz aos outros os benefícios que adviram com sua conversão. Isso não é evangelismo, e levará a uma típica resposta: “bom para você!”.
  • Os testemunhos pessoais devem comunicar a reivindicação do evangelho sobre as vidas dos ouvintes se o evangelismo há de acontecer através deles.
Ação Social
  • Algumas pessoas confundem ação social ou envolvimento político com evangelismo. Mas os problemas horizontais que enfrentamos na sociedade são frequentemente apenas sintomas de uma ruptura em nosso relacionamento vertical com Deus.
  • Evangelismo que se restringe a satisfazer necessidades sentidas, salvando o restaurante público ou sendo politicamente ativo, não é evangelismo de forma alguma, pois falha em comunicar claramente o evangelho e a necessidade de se arrepender e crer em Jesus Cristo.
A Academia de Apologética
  • Frequentemente as pessoas assumem que defender a fé respondendo as perguntas e objeções dos céticos é evangelismo.
  • A apologética pode certamente, e frequentemente, levar ao evangelismo. Mas a menos que Jesus seja apresentado como a única provisão de Deus para o pecado do homem e o arrependimento e a fé sejam apresentados como o único caminho de obter o perdão diante de Deus, o exercício permanece meramente acadêmico e cognitivo.
A Variedade de Resultados
  • Talvez a maioria das pessoas confunda evangelismo com os resultados desejados ou esperados do evangelismo. Mas evangelismo não é simplesmente ver pessoas convertidas. O verdadeiro evangelismo pode ocorrer milhares de vezes sem uma única conversão. Confundir evangelismo com seus resultados levará eventualmente à frustração e desilusão.
  • Paulo estava fazendo evangelismo em Atos 13:44-47, embora os judeus tenham rejeitado a palavra de Deus e julgados a si mesmos indignos da vida eterna.
Extraído de: Monergismo
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto



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