segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A compaixão supre a falta de teologia - C. René Padilla



O que faz possível uma missão de amor genuíno, ao estilo de Cristo, é a compaixão. Quando não há compaixão, podemos ter dinheiro para levar a cabo programas e ações sociais e (talvez ) uma ideologia para motivarmos e darmos sonhos de um novo mundo, mas então nossa missão não é ao estilo de Jesus.


Sempre houve cristãos com uma teologia muito “progressista”, mas não vivem de acordo com ela. Sua teologia é muito idealista, mas sua vida prática não reflete o que ela diz. No entanto, o contrário também existe: há cristãos que sua teologia deixa muito a desejar, mas sua vida prática nos surpreende: é uma vida motivada pela compaixão, uma vida de serviço em respostas a necessidades do próximo, de preocupação com as crianças, de identificação com os pobres, de fazer todo o possível para mudar a situação das pessoas mais vulneráveis da sociedade. Parece que a compaixão supre o que está lhe faltando de teologia.


Um tema constante nas principais conferências organizadas pelos evangélicos nas últimas três décadas é a responsabilidade dos cristãos frente às necessidades sociais, políticas e econômicas do nosso povo. O que estamos vendo hoje é em grande parte resultado não somente destas conferências e reuniões, mas de todo um trabalho teológico e pedagógico, combinado um sério agravamento da situação, exigindo de muitos se conscientizarem de que não é possível continuar pregando um evangelho desencarnado da realidade.


Até recentemente, muitas das evangelizações das igrejas eram desencarnada. Foi orientada pela salvação da alma, mas ignorava as necessidades do corpo. Oferecia a reconciliação através Jesus Cristo, mas ignorava a reconciliação do homem com seu próximo, baseada no mesmo sacrifício de Jesus Cristo. Proclamava a justificação pela fé, mas não fazia qualquer referência à justiça social enraizada no amor de Deus pelos pobres.


Muitas vezes, este esforço estava ligado a outro, muito grande, o crescimento numérico da igreja. Para incrementar o número de membros nos bancos, caiam na redução do Evangelho, fazendo deste uma mensagem para o indivíduo, mas não para a sociedade, para a vida privada do homem, mas não para pública. Muitas igrejas ainda não superaram estas distorções, e as controvérsias as impedem de participar criativamente do que Deus quer fazer no mundo para cumprir seu propósito redentor. Hoje, no entanto, existem vários casos de ministério integral que mostram uma mudança radical que está acontecendo com o povo evangélico latino-americano em relação à maneira de encarar seu mistério. São sinais que apontam para um novo dia na história da igreja evangélica na América Latina. E o que faz possível estes sinais não é outra coisa que a compaixão.

Tradução: Majestosa Verdade
Original aqui.

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